Uma vez me disseram que quem ama os pássaros não compra gaiolas. E é por isso que eu te deixei ir. Você tem necessidade de voar, se encontrar, viver mais coisas antes de se prender a alguém. Eu não quero te impedir de nada, não quero ser o que te priva, o que te fere. Por mais que ter você comigo seja o que eu mais quero no momento, eu não posso fazer isso com você. Não posso te acorrentar. Dói muito saber que eu não sou o lugar que você quer pousar, fazer morada e permanecer, mas eu não posso fazer nada porque essas coisas não se escolhem. Isso é espontâneo, não há como forçar e, mesmo se tivesse, não seria algo verdadeiro e duradouro. Você não imagina o quanto é difícil te libertar de mim, o quanto dói abrir mão, o quanto é enlouquecedor a ideia de que você não é e nunca foi minha. Mas o que eu sinto por você é forte demais pra te forçar ficar num lugar que não quer e ver o quanto isso pode te doer, te incomodar e te ferir. Ver você feliz, mesmo que seja longe de mim, já é o suficiente. É incrível a facilidade como você alça voo e voa alto. Admiro isso, de verdade. Um dia quero conseguir voar assim… E, talvez, a gente se encontre em outros ares e voemos na mesma direção.
“Quando ela entender que lar não é algo, é alguém, vai perceber porque quando se foi me senti sem ninguém…”
sinto na pele você me esquecendo um pouco mais a cada esquina
uma hora a gente cansa de procurar,
se conforma,
senta na varanda de casa e espera o tempo passar.